‘Bandidos na TV’ retorna ao Caso Wallace Souza, o apresentador acusado de matar para gerar audiência

 ‘Bandidos na TV’ retorna ao Caso Wallace Souza, o apresentador   acusado de matar para gerar audiência
TEXTO POR EDUARDA RODRIGUES

Título Original: Bandidos na TV
Ano: 2019
Duração: 351 minutos
Gênero: Documentário
Classificação: 16 anos.
Sinopse: Wallace Souza, político e apresentador, é acusado de planejar crimes para ganhar audiência.


A série documental original Netflix, apresenta sete episódios sobre a trajetória do apresentador e ex-deputado Wallace Souza, que de herói do povo de Manaus se tornou acusado de comandar o crime organizado e liderar um grupo de extermínio na cidade com o intuito de conseguir audiência para o seu programa.
Wallace Souza era ex-policial civil e se tornou apresentador do programa Canal Livre, na antiga emissora TV Rio Negro (hoje, TV Bandeirantes Amazonas). A atração começou de maneira improvisada, sem muitos recursos, mas logo depois foi conseguindo patrocínio das empresas locais a medida que a audiência crescia. O Canal Livre era um verdadeiro show e seguia o modelo de diversos outros programas policiais. Entre entrevistas com supostos bandidos na hora da prisão e acompanhamento de perseguições policiais, um artista local apresentava as suas músicas e um fantoche fazia graça, depois repórteres iam até cenas de assassinatos e mostravam corpos estirados no chão. Além do sensacionalismo na cobertura de crimes, o programa também fazia assistencialismo às pessoas pobres que iam na TV muitas vezes pedindo até alimento.
Por causa do grande alcance da atração, Wallace se tornou o justiceiro do povo manauara, falando contra a criminalidade no Amazonas, fazendo denúncias,  cobrando respostas do governo do estado e da polícia e auxiliando a população. Com a popularidade em alta, ele foi eleito deputado estadual no Amazonas por duas vezes, sendo considerado o deputado mais votado do Brasil. 

Com o passar do tempo, a cobertura das ocorrências policiais no ‘Canal Livre’ começou a chamar atenção das autoridades que alegavam que a equipe de reportagem do programa, na maioria das vezes, era a primeira a chegar aos locais dos crimes e possuía detalhes dos corpos que nem o IML poderia saber sem uma perícia bem feita. Essa desconfiança surgiu a partir de uma reportagem feita em uma mata onde havia um corpo carbonizado ainda fumegando. O repórter que cobria o crime deu detalhes do corpo encontrado que, a partir da observação de alguém não certificado, não seria possível reconhecer: “Tem cheiro de churrasco. Aí está o corpo. Olha aí, ainda sai fumaça. É do sexo masculino”, dizia o repórter que também alegava que o corpo não possuía nenhuma perfuração de bala.
A Secretaria de Inteligência do estado do Amazonas, começou a investigar o apresentador e acusá-lo de possuir ligação com o crime organizado, montando uma força tarefa para dar conta de colher todas as provas e ouvir todas as pessoas envolvidas no caso. As denúncias foram se tornando cada vez mais graves quando um ex-policial, Moacir Jorge, mais conhecido como Moa, foi preso e delatou tanto Wallace quanto Rafhael Souza, filho do apresentador, de possuírem associação com traficantes, além de comandarem um grupo de extermínio em Manaus. O principal e mais explorado  fato alegado pelas autoridades era o de que as mortes comandadas por eles seriam de desafetos e de traficantes rivais, assim, Wallace aproveitava das mortes para gerar audiência para o programa, o que explicaria as informações privilegiadas que ele e sua equipe dispunha. 

Apesar de todas as acusações, testemunhas  que supostamente tinham participações ou que presenciaram os crimes, e que vinham depondo contra Wallace, por muitas vezes atrapalharam as investigações e colocaram em xeque a atuação da força tarefa policial devido as alegações de tortura. Segundo as testemunhas, membros da força tarefa os torturavam física e psicologicamente para conseguirem depoimentos que incriminasse o apresentador.  Em decorrência desses fatos, Wallace alegava incansavelmente que estava sofrendo perseguição política por parte do governo do estado do Amazonas e morreu em 2010 vítima de um ataque cardíaco proveniente do seu grave estado de saúde, sem ser julgado. 

O Caso Wallace Souza e ‘Canal Livre’ é uma história que ainda se desdobra até os dias atuais, já que muitas testemunhas e pessoas diretamente ligadas a ela foram assassinadas ao decorrer do tempo. A série documental Bandidos na TV destrincha esse caso emblemático que atualmente ainda gera dúvidas quanto a culpa e a participação de Wallace em todos os crimes dos quais foi acusado. Os episódios possuem uma média de 50 minutos e disponibilizam as diversas versões de todas as pessoas envolvidas, inclusive vídeos de defesa do próprio Wallace, além dos inúmeros fatos ocorridos nesse caso, o que torna ainda mais difícil uma formação de opinião por parte de quem está assistindo. 
Vale a pena conferir a série e entender um pouco mais sobre esse caso extremamente complexo e cheio de reviravoltas. 


Utopia

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2 Comments

  • Já quero assistir essa série, nåo conhecia a história, partiu google para saber mais.

  • Assisti a série documentário e recomendo, tem uma produção muito boa e o caso é incrível, com várias reviravoltas que fazem parecer até uma ficção.

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