Escritor doa lucros da pré-venda

 Escritor doa lucros da pré-venda
Por Johany Medeiros

De uma plataforma digital ao livro físico, escritor Fernando Ferreira doa lucros da pré-venda do livro Os Contos do Livro Dourado, volume 1 da trilogia The Golden Book, para bibliotecas carentes de Porto Alegre
Foto do acervo pessoal // Fernando Ferreira, escritor da trilogia The Golden Book

Nascido e criado no Rio Grande Sul, Fernando Ferreira é graduado em Educação Física, mestre e doutorando em Ciências da Reabilitação e um escritor profissional. Com dois livros publicados e alguns artigos na sua área de atuação, viu o sonho se realizar com o lançamento do seu primeiro livro de ficção Os contos do Livro Dourado, primeiro volume da trilogia The Golden Book. Publicando semanalmente os capítulos do livro numa plataforma digital, viu o seu hobby mudar, quando a Multifoco Editora entrou em contato e fecharam contrato. O lançamento do livro, aconteceu no dia 23 de novembro de 2019 em Porto Alegre e Fernando nos cota, via WhatsApp, o que levou um professor da área de saúde a escrever um livro de ficção-científica e doar todos os lucros da pré-venda para bibliotecas carentes.

Quando eu tive a oportunidade de ler os primeiros cinco capítulos do livro, a narrativa é gostosa. Parece que o Martin, o personagem principal, está sentado na nossa frente contando
sua história enquanto tomamos um cafezinho no fim de tarde. Para quem não conhece, quem é o Martin? Do que se trata o livro, afinal?

O Martin sou eu! Sério, o Martin é um cara hiperativo, inteligente, convencido e que acha que sabe tudo da vida dele. Até ele perceber que não sabe nada. Na verdade, ele foi criado meio “O Show de Truman”, sabe? As pessoas cuidavam dele porquê ele é importante – por um motivo que não posso dizer -, e quando ele descobre tudo, acaba pondo em xeque o que ele achava que sabia. O Martin percebe que não era assim tão inteligente, nem tão bem-sucedido e, talvez, as pessoas nem gostassem tanto dele assim. O livro conta a história do Martin e da Sophie, casal que de repente se separa e deixa o Martin desolado, mas o que ele não sabia é que voltariam a se encontrar sob circunstâncias estranhas, com toda uma ciência de pano de fundo. Tem sociedades secretas, guerra fria, guerra aberta, romance, essas coisas. No fim, é um livro sobre ciência! Só que uma ciência extrapolada, maximizada. Tudo que descrevo no livro é completamente plausível à luz da ciência.

O livro é repleto de referências filosóficas, históricas e científicas. Como você falou, a ciência é o pano de fundo de toda a história. Poderia nos contar um pouco mais dessa ciência que rege a trama? Ou só lendo para saber?

Posso falar um pouco. Existe uma ciência chamada Noética. Essa ciência dá conta que as nossas ondas cerebrais podem ser convertidas em energia mecânica. E, em uma experiência realizada em 2010, os cientistas americanos constataram que as ondas cerebrais viajam, não só pelas sinapses, mas pelo ar, também. E se essa ciência tão bem estudada, explicasse o imenso poder dos maiores líderes e ditadores da história da humanidade? E o The Golden Book aborda esse assunto. Extrapolando a ciência e mesclando história com fantasia.

Quanto tempo durou e como se deu esse processo criativo? Quando começou a realmente pôr a mão na massa e o que sentiu quando finalizou?

Mais de dois anos. Eu leio bastante e, quando comecei a escrever, resolvi me basear nos “caras”, desde Platão até Caetano Veloso. Primeiro, eu escrevi o corpo da história, um resumão. Depois, fiz uma Timeline, fichas de personagens e fui preenchendo, simples assim. O mais difícil é ter a ideia. Escrever é fácil. Quando finalizei, fiquei muito satisfeito com o resultado. Usei uma linguagem
simples, tipo Rowling[Autora da saga Harry Potter] para crescer junto com o personagem.

Você sendo um professor universitário na área de saúde, o que te levou a escrever um livro de ficção?

Nerdice. Sério… Eu sou um nerd de carteirinha! Adoro Harry Potter, Percy Jackson, Star Wars, super-heróis, essas coisas de nerd e, além disso, sou hiperativo como o personagem do livro. Comecei a escrever esse livro sem pretensão nenhuma nem mesmo de mostrar ele a alguém algum dia. Usava a escrita mais como um meio de “esvaziar” a minha cabeça, botando pra fora algumas ideias malucas que eu tenho. Em meados de 2018, eu descobri, por acaso, que havia uma plataforma chamada Wattpad, onde o pessoal postava suas histórias. Resolvi arriscar e ir postando um capítulo por semana e a recepção foi maravilhosa. Em 2018 mesmo, eu assinei meu primeiro contrato de publicação com a Multifoco Editora, que traz à luz essa obra, escrita com muito carinho e trabalho, sob seu selo Birrumba.

Uma coisa que chamou bastante atenção na campanha feita nas redes sociais da pré-venda do livro Os Contos do Livro Dourado, foi o fato de todo o dinheiro arrecadado em lucros, ser doado para as bibliotecas carentes da região de Porto Alegre. De onde surgiu essa ideia? O que te motivou?

Quando eu fiz o contrato de publicação com a editora, foi isso que decidi. Na verdade, escrever livro não é o meu trabalho. Sou professor, tenho uma empresa e eu não pretendia ganhar lucro com isso. Mas sendo professor, eu pretendo conseguir disseminar informação, dar condição de leitura para quem não tem, como eu não tive quando era criança, onde eu não tinha dinheiro para comprar livro. Então, a ideia, já que eu não preciso da grana, foi fazer uma ação de caridade e pegar todo o dinheiro que eu arrecadar de lucro, reverter em novas cópias do livro e doá-los para bibliotecas carentes. A ideia não é só dar o livro. A ideia é que eu vá lá fazer uma conversa com a criançada, explicando que eu vim do mesmo lugar que eles e que a leitura, a educação, mudaram a minha vida. Eu estudei a vida toda em escola pública. Hoje, eu faço doutorado em uma universidade federal que é bem concorrida. Tenho uma empresa. Sou professor universitário e, tudo isso, me foi possibilitado por conta da educação que eu tive.

Você se diz um verdadeiro nerd de carteirinha e sabemos que você usa dessa nerdice para compor um pouco mais a história do Martin, para o público leitor, quais são os escritores ou outros livros que você recomendaria?

Para o público leitor, recomendo Harry Potter. Todos os livros do Rick Riordan, George RR Martin, HG Wells, Arthur Conan Doyle, Júlio Verne, Dan Brown, Tolkien, CS Lewis. Uma galera… todos inspiração paro o livro. Para as considerações finais, agradeço pelo reconhecimento e pela oportunidade, espero todos em Porto Alegre.

Utopia

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13 Comments

  • Ficou muito bom

  • Que iniciativa incrível do Fernando Ferreira. Amei a entrevista! Um beijo.

  • Gente, que iniciativa e que entrevista incríveis! Amei conhecer mais sobre a narrativa, a história e a personalidade do Fernando. Parabéns pelo post! ♥

    • Adorei, a narrativa do livro parece ser bem interessante. E achei mto bonita a iniciativa do autor de doar os livros na pré venda.

  • Olha ficou demais essa entrevista, perguntas inteligentes, e claro as respostas mais ainda.

  • muito incrível a iniciativa dele, por mais pessoas assim que o mundo precisa, sempre que posso eu tbm ajudo com alimentos ou doações, é a vida!

  • Ouvi no jornal essa semana sobre esse caso e achei incrível! Empatia e solidariedade são fundamentais e muito raros nesse problema de crise mundial que estamos passando!

  • Gostei da entrevista! Muito bonita a iniciativa dele.

  • Parece muito interessante o livro, já deu vontade de ler!
    Como eu queria ser uma nerd…ter tantas idéias assim, ler bastante!
    Parabéns pela entrevista!

  • Adorei a iniciativa dele. Muito boa mesmo!

  • Imagino como um escritor se envolve escrevendo uma história,e como o personagem criado tem um pouco haver com ele. Parece muito gostoso de ler. Que lindo ele ter doardo todos os lucros da pré-venda para bibliotecas carentes. Parabéns por essse trabalho lindo.

  • É tão legal a gente conhecer escritores gente como a gente.
    Adorei ele falar que é nerd de carteirinha. As histórias que ele mesmo escrevem remetem para isso.

  • Achei ótima a iniciativa de conversar com a criançada, a proposta é excelente

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