Por que crianças matam – A história real de Mary Bell

 Por que crianças matam – A história real de Mary Bell

Livro acompanha a trajetória de Mary, criança de 11 anos condenada a prisão perpétua em 1968 na Inglaterra.

Escrito pela jornalista, Gitta Sereny, o livro Porque Crianças Matam conta a história de Mary Bell, menina de 11 anos condenada por assassinar duas crianças de três e quatro anos. A autora presenciou o julgamento em 1968, onde Mary Bell e Norma Bell (apesar do sobrenome, não são irmãs) estavam sendo acusadas de assassinar os dois garotinhos, sendo, Norma, inocentada e Mary, acusada à prisão perpétua.

Antes de mais nada, Sereny, desde o começo do livro, pontua a importância ao questionamento para entender o que leva a uma criança a cometer crimes hediondos. Deixa claro, também, que ao tocar nesse assunto não quer causar mais dor e sofrimento às famílias que perderam seus filhos (afinal de contas, a Mary é completamente participativa na construção desse livro) e volta a ressaltar a importância de falar sobre o assunto, para que possamos, assim, entender outras crianças e evitar tragédias como essa. A autora questiona, também, o porquê das crianças serem julgadas como adultas em vários lugares do mundo e aponta a atuação do juri no caso Mary Bell. Enfatiza o quanto a mídia pode ser sensacionalista e prejudicial a um julgamento, antes mesmo dele acontecer. Isso porque, a Mary era apresentada como a “semente ruim”, diferente da forma que a Norma foi apresentada. Apesar da importância de falar sobre um assunto tão delicado, a autora, em momento nenhum quer usar as falas da Mary como uma desculpa para o que aconteceu. Mas sim, fazer o leitor pensar sobre como tratamos nossas crianças e como, muitas vezes, não prestamos atenção aos seus pedidos de socorro.

Só depois de 27 anos após a condenação, Mary aceitou falar com Gitta. Em cinco meses de conversa entre as duas, temos acesso a vários coisas que aconteceram na vida de Bell: a infância repleta de abusos sexuais, o relacionamento conturbado com a mãe, as várias instituições que passou após a condenação, o regime aberto, o nascimento da filha e, enfim, a aceitação por ter cometido tais crimes.

O livro é completamente denso, repleto de dor, sentimento, confusão, culpa e detalhes sórdidos. É preciso lê-lo com bastante atenção, já que temos nele, vários depoimentos de pessoas que passaram pela a vida de Mary Bell e, às vezes, pode parecer confuso pela quantidade de nomes citados e as datas em que cada coisa aconteceu. Além de retratar uma história real e explicar certos fatores que desencadearam ao crime, o livro nos faz refletir, principalmente, sobre reabilitação. Parafraseando a autora: acreditamos de verdade na reabilitação de uma pessoa, criança ou adulta, que comente um crime pelo qual é condenada e punida? Quando liberta, ela recuperou o direito a uma vida normal? Acreditamos, de fato, em redenção?

Título original: Why Children Kill – The story of Mary Bell
Autora: Gitta Sereny
Editora: Vestígio Ano: 2019 Páginas: 400
ISBN-10: 855412622X
ISBN-13: 978-8554126223
Classificação: ⭐⭐⭐⭐

Utopia

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5 Comments

  • Oi Johany.

    Eu estou com este livro na meta de leitura deste ano para lê -lo e pela sua resenha posso preparar para temas fortes e uma leitura densa. Muito obrigada pela dica, vou tentar lê-lo o mais rápido possível.

    Bjos

  • Oi, ótimo post! Esse é um livro que quero ler. A temática de crimes cometidos na infância e essa reflexão sobre a reabilitação são assuntos não muito falados, mas super interessantes.

  • Oie, Tudo bem ?

    Eu não sei se conseguiria ler esse livro, por ter uma narrativa que parece ser bem intensa, mas vou procurar saber mais sobre o caso.
    O que eu concordo é que, com certeza, a imprensa pode influenciar e muito no rumo de um processo. E, às vezes, de forma negativa.

    Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

  • Nossa, a história deve ser bem impactante, mas ao mesmo tempo, interessante pelo fato de ter depoimentos das pessoas que conheceram as rés. Fiquei curioso para ler

  • O livro parece ser bem forte e impactante, porém não curto esse tipo de leitura. E infelizmente essa realidade esta cada vez mais presente no nosso dia a dia.

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